Vignette versus Wordpress

por Rafael Dourado - 11/01/2008

Depois de um período de trabalho triplicado, recuperação da fadiga e virose e bacteriose mal curadas, finalmente voltei a postar! E uma das dores de cabeça que acabei tendo (devidamente amenizada pelo boa remuneração) foi trabalhar pela primeira vez com o Vignette.

Caso não conheça, a Vignette é uma empresa americana que possui uma série de produtos para a web. Sua soluções em gerenciamento de conteúdo são produtos caríssimos utilizados, obviamente, por quem tem muito dinheiro como a Globo e a Martha Stewart. Porém, durante todo o processo não conseguia deixar de pensar: com o Wordpress seria mais rápido.

A idéia do Vignette é que não é necessário muito conhecimento para fazer o que quiser com seu site e o projeto era um site modelo que tirava proveito de todos os recursos dele. Mas o sistema não é nada fácil de usar. Uma tarefa simples como a de inserir uma imagem em um artigo, por exemplo, são necessários cerca de 10 cliques — metade deles abrem uma nova janela — e o preenchimento de um formulário com os dados da imagem em um gerenciador de mídia em Flash. No Wordpress, nem é necessário sair da tela de edição!

Mesmo dizendo que é possível alterar qualquer coisa sem programar, o módulo de leiaute simplesmente não obedece ninguém. Ele próprio define as margens entre os blocos de conteúdo e por mais que se tente definir um tamanho exato para esses blocos, o número nunca é obedecido. Em um leiaute que deveria ter 3 colunas com 320 pixels, o Vignette alterava esse valores ao seu bel-prazer e ignorava as margens de leitura. No Wordpress, a mobilidade do visual depende da habilidade do desenvolvedor CSS, do arrastar-e-soltar dos widgets e dos plugins personalizáveis. A maior parte do trabalho fica de fato nas mãos do desenvolvedor, mas quem estudou design da informação aqui, afinal?

POG? Pior!

Bom, mas se é possível aprender a usar o Orkut, também é possível aprender a usar o Vignette, não é? Porém, se você for desenvolvedor e prezar o mínimo que seja pelo seu trabalho, terá de se despir de todos os seus valores caso vá trabalhar com esse elefante branco (que o diga Diego Eis, que assim também trata o Vignette). Diferente do Wordpress, os padrões web passam longe dali e o código gerado é uma gambiarra de fazer inveja a qualquer “sobrinho”. É uma mistura de CSS externo, CSS inline, tags abertas, tabelas posicionando divs e vice-versa, elementos sem identificação e javascript. Inclusive, em algumas páginas todo o conteúdo é puxado por javascript, até mesmo o leiaute. Ele redefine a Programação Orientada a Gambiarra!

Era tanto código que ele jogava que em certo momento parti para a ignorância e sai espalhando centenas de !important pelo CSS. Deu certo por um tempo, mas depois percebi que além do código normal do site, ainda existia um ícone em cada bloco de conteúdo com link direto para a edição que quebrou o leiaute inteiro.

Essa briga durou duas semanas intensas, mobilizou cerca de 20 profissionais internos, além de mim e o Glacial como externos, e o produto final, na minha opinião, poderia ter ficado melhor se o gerenciador não tivesse atrapalhado tanto. Porém, cumpria o prometido e a empresa que solicitou o outsourcing teve o seu leiaute devidamente implementado.

Mas não consigo tirar uma pulga atrás da orelha: como um sistema é considerado um dos melhores do mercado ignorando completamente qualquer estudo de usabilidade, acessibilidade e boas práticas de desenvolvimento?

10 comentários para “Vignette versus Wordpress”

  1. Tiago Celestino Says:

    Por isso que nem tudo que é dito com melhor, realmente é!

  2. Id Says:

    Acho que quem pode responder essa pergunta é o pessoal que desenvolve o IE.
    =P

  3. Leandro Alonso Says:

    “Inclusive, em algumas páginas todo o conteúdo é puxado por javascript, até mesmo o leiaute.” Isso me deu MEDO.

    E pensar que NOKIA, Time-Warner, Fox e etc. usam o Vignette…

  4. Rafael Dourado Says:

    Tiago:
    Como diria Rita Lee, o mau gosto é um problema mundial!

    Id:
    Hahahah. BOA!!!

    Leandro:
    Que os grandes portais não reclamem de que estão perdendo acesso a cada dia…

  5. Erick Souza Says:

    É aquela velha historia, como o wordpress é um codigo livre e grátis não passa tanta seriedade para grandes empresas como a GLOBO, por isso acabam seguindo por caminhos como Vignette, e isso não se restringe apenas a internet, na vida offline também contece muito.

    Abraços.

  6. Rafael Dourado Says:

    Erick,
    o Vignette passou muito tempo como única opção para empresas grandes. Mas é uma pena que em 2008 ele ainda ignore questões que são levantadas desde metade dos 90.
    Criar um produto web hoje ignorando experiência do usuário e acessibilidade é até absurdo, vide o que Apple e Google andam fazendo, por exemplo. Até a Microsoft, que há anos é ojerizada por muitos desenvolvedores web, vai lançar um IE 8 passando no teste Acid2 e também vai lançar o Silverlight com recursos de acessibilidade que até hoje o Flash não tem!

  7. Glacial Says:

    Eu ainda tenho pesadelos com aqueles grids … :’(

  8. Chovendo no molhado, o Wordpress é sensacional | Leandro Facchinetti Says:

    […] este blog eu li comentários sobre quão sensacional é o Wordpress. Diziam que ele era cheiroso, bom de cama e premiado. E ele é escrito em PHP com banco de dados MySQL, ferramentas com as quais estou […]

  9. Claudinei Says:

    Não sei que versões vocês estão usando, mas desde o ano passado, o Vignette foi atualizado na empresa em que trabalho e a usabilidade mudou muito. Muitas ações baseadas em Ajax, pouquíssimos cliques e recarregamento de páginas. Este ícones em cada conteúdo são apenas pra edição em contexto, servem para alguém gerenciar o conteúdo num preview do próprio site, que ao ser publicado, tem seu HTML final publicado sem estes links.

    Entendo também que falta um pouco de conhecimento da aplicação, pois os problemas que vocês estão dizendo dizem respeito ao HTML gerado, e neste sentido, no Vignette o HTML pode ser 100% controlado pelo desenvolvedor, bastando saber o quê é o quê.

    Não tiro toda a razão de vocês, mas tenho que dizer que estamos muito satisfeitos com o uso desta ferramenta na nossa empresa, que por ser um produto complexo, é necessário conhecê-lo bem para tirar melhor proveito.

  10. Rafael Dourado Says:

    Oi Claudinei,

    este artigo foi escrito sobre meu primeiro contato com o Vignette e que foi de fato traumático. Mas acredito que ele tenha melhorado sim, afinal, pelo preço que cobram por ele tinha que ter melhorado muito mesmo.
    Mas agora é possível que faça outro trabalho com essa versão nova do Vignette, aí poderei ver essas melhoras que você disse.

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