Testamos Mais Um Mini PC de $100,00 ($160,00 na verdade)

por Rafael Dourado - 09/03/2007

Dessa vez foi o Mobilis da empresa indiana Encore. Após distribuir 60 aparelhos desses pelo Brasil - um deles, o que eu testei, está na UFC -, decidiram construir uma fábrica de 300 milhões de reais para fabricar tanto o mini pc Mobilis, quanto o SoftComp e o Simputer (computador compacto, mas não portátil, e um “shirt-pocket” PC respectivamente).

Este link conta mais detalhes dessa história toda, portanto, vou me prender mais na experiência que tive utilizando o Mobilis.

Encore Mobilis Desktop do Encore Mobilis

Não sei se foi o fato de ter usado antes e gostado muito do Classmate, mas o Mobilis é uma tristeza. Detalhes técnicos: processador Intel pxa-255 de 400mhz, 128 de memória ram, memória flash de até 2 gigas, áudio e vídeo integrados, WiFi, modem, USB 2x e 1x, suporte à telefone GPRS/CDMA e otras cositas mas.

Se você comparar as configurações já vai desconfiar da diferença de desempenho. E é fato, o Mobilis é MUITO mais lento que o Classmate. Só abrir o Firefox já é um parto, imagine fazer outras coisas. Os programas que vêm instalados refletem essa lentidão. Sequer o OpenOffice vem instalado. No lugar vem um editor de texto que mais parece o bloco de notas turbinado. Os programas educacionais são mais variados que o Classmate, mas muito mais simplórios (e todos em Flash). Detalhe: estava tudo em inglês. Tomara que seja só por ser um computador de teste.

O design do aparelho é muito estranho. Primeiro que ele é desenhado para ser segurado com uma mão e utilizado com a outra através da stylus pen (vulgo canetinha de palmtop). Certo que ele só pesa 800 gramas, mas ficar segurando esses 800 gramas por muito tempo cansa. E antes que você pergunte… não, não tem um apoio para deixá-lo sob a mesa. E mesmo que tivesse, o monitor de 7 polegadas é tft-lcd, ou seja, se alterar um pouco a inclinação já não se vê mais nada direito. Além disso, alguém duvida de que a stylus pen não dura uma semana?

Eles até desconfiaram dessa possibilidade, tanto que a versão do Linux instalada (uma versão personalizada, eu acho, pois não consegui identificá-la) não deixa eu colocar ícones na área de trabalho. Os ícones lá presentes são uma versão dos programas listados no “botão iniciar”. O tamanho maior possibilita que, na falta de uma canetinha, seja possível escolher os programas com os dedos.

As teclas do teclado são minúsculas e pouco espaçadas, além de serem emborrachadas. Mais confortáveis por isso? Talvez. Mas a tinta das letrinhas já estava se apagando, mesmo com pouco uso.

O pessoal da Encore tem que entender que quem provavelmente usará esses aparelhos tem uma cultura de informática mínima ou nula. Qualquer dificuldade maior apresentada será o suficiente para o aluno excluir aquilo da vida e abominar computador da mesma forma que a maioria das pessoas mais velhas fazem. E não é por falta de motivo. Se o primeiro contato com computador já se apresenta essa quantidade de barreiras, é difícil sentir prazer em utilizar qualquer computador que seja. Isso sem contar que geralmente os usuários não botam a culpa no verdadeiro culpado, mas sim em si mesmos. Daí já se viu, não consegue usar o mini pc, depois não consegue usar direito o celular, o caixa eletrônico, o controle remoto da televisão e por aí vai. Como se sente uma pessoa que nas atividades que todo mundo diz serem triviais ela sua para fazer o básico?

A tecnologia só existe para facilitar a vida das pessoas. Mas para conseguir isso, quem a produz deve respeitar as diferenças e as particularidades de cada um. Um computador voltado para a educação deveria ser o primeiro a considerar isso.

2 comentários para “Testamos Mais Um Mini PC de $100,00 ($160,00 na verdade)”

  1. Fill Says:

    Perfeito! belo post. to esparando a proxima análise =D
    É aquilo que eu te disse no outro post, tudo que dificulta as pessoas a usarem o computador leva elas a, como você mesmo disse, abominar aquilo com o que estao fazendo. Sou Adepto ao Linux, mas o uso dele nesses computadores com o intuito educacional pode dificultar as coisas para os usuários, que, a princípio, provavelmente estranhara, a forma como as coisas funcionam. Se o linux fosse o Ubuntu, que é o Linux mais amigável que eu conheço, acho que as coisas poderiam fluir melhor ;)

  2. Netlus » Blog Archive » Conheça o Sistema Operacional do Laptop de US$ 100 Says:

    […] Depois de ler um certo artigo sobre o mini pc de US$ 100, resolvi saber mais sobre o Sugar OS. Quem quiser baixar a imagem do CD fique a vontade e emita seus comentários. […]

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