Quem ganha é a carta.

por Chico Neto - 19/03/2007

Durante o excelente Alternativa2007, o primeiro convidado do evento, Fábio Seixas, perguntou ao público quais pessoas presentes faziam uso de cartas escritas.

Para minha surpresa, somente eu levantei o braço. Ele, em tom jocoso, perguntou minha idade.

Aos que não sabem, tenho 25 anos.

Na oportunidade, queria que a apresentação de um dos sócios do criativo (?) site Camiseteria prosseguisse. Por isto, não dialoguei com o convidado sobre o assunto. Nem no coffee break. Achei que ocupar minha boca com os saborosos quitutes seria mais válido.

Os milhões de leitores do Netlus (projeção para 2008), imagino, são admiradores das possibilidades infinitas trazidas pela internet. E eu também. Talvez, a maior delas seja a promoção de uma comunicação célere entre usuários nos mais distintos pontos do planeta.

E toda facilidade e velocidade na troca de informação trouxe consigo um novo tipo de discurso. Falo daqueles e-mails rápidos, no quais a resposta é, somente, “ok”. Ou os e-mails enviados para várias pessoas. Correntes forward. Spams. Ou ainda mensagens nas quais você não é mais você. É “vc”. Uma redação que indica breviedade nas palavras como consequência de pouca dedicação do escritor ao leitor.

O que isto trouxe, creio, foi uma vulgarização das informações trazidas nas mensagens de e-mail e de bate-papo. Escrever uma mensagem eletrônica é tão fácil que não nos dedicamos a ela. Não relevamos nosso discurso. E perde-se mais ainda o tempo da delicadeza.

Escrever uma carta parece requerer um pouco de dedicação. Para começar, terá que saber o endereço e CEP do destinatário. Não precisa ser escrita à mão com caneta esferográfica em folha pautada. Pode ser impressa em jato de tinta. Até mesmo os endereços no envelope podem ser correspondência postal. Só que tudo parece solicitar ser mais preciso. Cuidadoso.

Vou continuar enviando e-mails. Diariamente. Dezenas. Mas quando precisar enviar um documento sério, ou uma mensagem para expressar carinho a alguém, não tenhem dúvida, recorrerei ao selo. Não ao send.

Por isto, Fábio, se um dia você tiver a intenção de mostrar grande seriedade ou carinho, saiba de uma coisa: quem ganha é a carta.

6 comentários para “Quem ganha é a carta.”

  1. Fabio Seixas Says:

    Chico, você está certíssimo, principalmente quando fala de carinho. A carta ganha. Eu mesmo mando meus cartões de aniversário e natal escritos a mão.

    Quanto à seriedade, acredito que o email pode ser tão serio quanto uma carta. Ponto para os dois.

    Minha referência a carta escrita durante a minha palestra foi únicamente com o objetivo de ilustrar o quanto os tempos mudaram e o quanto não mais as pessoas se dedicam a escrever a mão, seja porque o novo meio facilita o trabalho ou seja porque não possuem mais prazer em fazer isso.

    Quanto a criatividade, não é preciso ser inédito para ser criativo. ;)

    Queria ter tido a oportunidade de conversar com você durante o coffee-break… uma pena…

    A propósito, bom post. Keep walking…

  2. Mariana Fontenelle Says:

    Dica para os homens bocós que ainda não se tocaram: mulher adora receber carta! E depois dizem que é dificil entender a gente… tsc tsc tsc

  3. jack Says:

    excelente o post. como foi o segundo dia?

  4. Rodrigo Coifman Says:

    Acredito que nesse (quase diálogo) não existe quem está certo ou errado. Concordo com o Chico que a carta prevalece em algumas situações e concordo quando o Fábio que seriedade independe do meio. Abraços aos dois!

  5. Netlus » Blog Archive » Se eles conhecessem a Internet… Says:

    […] Reflexão: Acredito que mesmo que os meios de comunicação tenham evoluído, a mensagem ainda hoje não chega da forma correta. […]

  6. Netlus » Blog Archive » Gmail paper Says:

    […] Mais do que simples brincadeiras ações como essas ajudam a divulgar a marca do Google e de seu serviço de e-mail sem gastar um só centavo com propaganda. Esse pessoal realmente entende de internet. Tanto que deve ler o Netlus, ou pelo menos os posts do Chico Neto . […]

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