O drama de ser seu próprio cliente
por Rafael Dourado - 13/04/2007Se eu fizer um cálculo como o do Romário – ou seja, incluir “gols” desde os tempos de colégio – posso dizer que trabalho com internet há uns 8 anos (tenho 23). Já fiz trabalhos para quase todas as empresas do Grupo Edson Queiroz, para agências de publicidade, empresas de outros estados e mais outros trocentos sites por pura diversão e tempo livre (saudades desse tempo). Mas em nenhum momento desses eu sofro tanto quanto na hora de fazer um trabalho para mim mesmo.
Confesso que sou o mais escroto dos clientes. Nada está bom para mim, não importa o quanto eu me esforce para agradar. Crio pelo menos 10 versões toscas de uma idéias aleatórias, amaldiçoo a minha própria existência e minha total incompetência, peço ajuda aos deuses do Olimpo, jogo campo minado (sempre perco), jogo paciência (também perco), jogo pedra na lua, olho pro tempo, vejo pornografia, lavo o rosto, desisto da vida… Juro que é mais fácil carregar uma cruz.
Inclua a todo esse drama psicológico, dúvidas crueis sobre seções do site, abordagem, qualidade dos textos, facilidade de uso, inovações etc. Nenhum questão nova ou que nunca tenha respondido a algum cliente antes, mas o fato de ser para mim a primeira coisa que vem à cabeça é: se é para mim, tem que ser perfeito. Mas ele NUNCA será como eu gostaria que fosse. Perfeccionismo, egocentrismo, vontade de agradar ou pura autoflagelação… não importa o motivo. Mas a frase “casa de ferreiro, espeto de pau” sempre surge na minha mente (ou ouvidos) nessas horas.
Depois de perder vários fio de cabelo e litros de água (o instituto datafoda-se diz que criatividade é 90% transpiração, ou não), finalmente chego a uma resultado que me agrade. Solto fogos por 2 segundos, mas sei que é chegada a pior hora. Se receber críticas de si mesmo já não é nada fácil, imagine as críticas do alheio. As únicas certezas que você tinha vão por água abaixo com comentários do tipo “parece um clipart” ou “tá com cara de feito às pressas”. Malditos! Alguns elogios surgem, mas a faculdade de comunicação passa 4 anos e meio nos ensinando que críticas positivas são falsas (como diria House, everybody lies).
Depois de jogar o “troço” aos leões, dar um gole d’água (ou de cerva, se for 6ª), tomar aquele banho e me recompor, é hora de raciocinar um pouco. Quais opiniões tiveram maior relevância, quem disse o quê, o que os estudos e livros me indicam… o que realmente deve ser corrigido? Perguntas devidamente respondidas, mais alguns dias com a peça ali no canto da tela, vista e revista com o passar das horas ou dias, finalmente algo fica pronto.
Ficou bom? Não importa. Se o cliente sou eu pode ter certeza que vou achar uma bosta.
PS: Esse parto foi para sair o site da Tropus, minha empresa. Publicá-lo-ei em breve para vocês poderem esculhambar à vontade.
PS²: Okay, eu confesso. Sou mesmo parecido com o De(ath)sign.

13/04/2007 • 9:19
Não estás sozinho! Compartilho de seu sofrimento psíquico mas lembre-se: “na escuridão olhe para a luz!” (Copyright © Mestre dos Magos by Caverna do Dragão).
13/04/2007 • 11:16
Esse drama também é comum para mim, já tive idéias que achei extraordinárias e no meio do desenvolvimento desisti por achar que tudo estava uma porcaria, que o layout não dava certo ou o projeto não tinha sentido algum, por isso mesmo nunca terminei de fazer meu blog, sempre faltam detalhes que eu reinvento todo dia, e no fim, nada fica realmente pronto. Mas fazer para os outros é no fim das contas tão mais simples, será pq somos sinceros demais consigo mesmos a ponto de criticar um minimo defeito inútil?
Deve ser por isso que é dificil montar uma empresa sozinho, o Google por exemplo, tem dois fundadores, e outros grandes sucessos por aí também!
13/04/2007 • 16:04
alguém consegue olhar para seu próprio trabalho e dizer:”… foi lindo, fácil e todos o amam…”
será q esse mundo existe?… ops.. voltando a realizade… lerê lerê… lerê lerê lerê…
15/04/2007 • 13:29
Cara,
estou passando por isso, ou melhor já passei por isso diversas vezes e atualmente estou passando novamente. Quando é para cliente é, em partes, mais fácil, você tem que trabalhar para agrada-lo. Já quando é para nós mesmos a coisa complica, nunca estamos satisfeitos e sempre queremos mais.
Deve ser por isso que até hoje não consegui finalizar o meu site pessoal.
Quando sair o seu site conta ai que quero ver!!!
Abraços!!!
23/04/2007 • 15:36
É meu filho, estamos todos no mesmo barco! Estou nesse exato momento no mesmo processo e, tanto na empresa quanto produzir para minha banda é um parto, afinal, o cliente sou eu mesmo e sou incrivelmente chato.