Mais respeito, por favor.

por Rafael Dourado - 06/05/2007

Lembram daquele meu probleminha com teclados Microsoft? A sina persiste. Além de não conseguir entender o que diabos uma empresa multinacional que movimenta mais dinheiro que países inteiros lança no mercado um produto que não presta, ainda tenho que agüentar o tratamento espartano da, talvez, maior loja de produtos de informática da cidade.

Cansado de tentar editar CSS sem os dois pontos e papear no messenger sem as letras a e p (incrível como tem palavra com a), saio do trabalho na maldita hora do rush para ir trocar os também malditos teclados (sim, são 2). Adentro a empresa, dirijo-me ao suporte e o seguinte diálogo se trava:

— Boa noite. Eu vim aqui semana passada com um teclado com problema e agora o outro também pifou. Acho que o problema é com o modelo, então, gostaria de trocar por outro.
— Puuutttzzzz… O fulaninho que assina o papel da troca acabou de sair, ó!
— Como assim? A loja está aberta!
— É, mas ele só trabalha até as 18h. E eu não posso assinar a troca porque são normas da empresa.

Que morra de cãibras anais o desgraçado que inventou as desculpas esfarrapadas “normas da empresa” e “o sistema caiu“. É realmente difícil assim ser sincero com quem o sustenta? Para comprar algo, muitas vezes é preciso dar provas de confiança e fidelidade que nem à sua mulher ou marido você dá. Comprova-se o endereço, o crédito na praça, o histórico limpo, o telefone de casa… as vezes até é preciso um amigo mais confiável que você para confirmar sua palavra. Sem contar com compras que você só recebe o produto dias depois de pagar, mas cheque pré-datado ninguém mais quer aceitar.

Que trauma tão grande é esse das empresas? Quantos clientes realmente são pilantras assim e merecem desconfiança? Se não for a maioria (duvido muito que seja), vale a pena maltratar todo o resto por isso? Bom, e se a culpa não for dos clientes, mas sim do dono?

Assim como os cachorros, as empresas são reflexos de seus donos. E isso vale tanto para o bem quanto para o mal. Recentemente a Mariana (que vez perdida escreve por aqui) me disse que o salão de beleza que ela sempre ia (que vivia lotado) havia feito uma grande reforma e subido os preços em 70%, tornando-se um dos salões mais caros da cidade. Conversando com uma das funcionárias, descobre que “a dona queria filtrar mais a clientela”.

Quem tem a coragem (ou burrice) de trocar uma clientela fiel por outros que talvez nem conheçam a empresa? Provavelmente alguém que começou a ganhar dinheiro, está se sentindo ascendendo de classe social, deu uma repaginada no visual e agora acha que precisa de “novos amigos”. Eu não conheço a dona, mas não é exatamente isso que a empresa dela está nos dizendo? A clientela antiga entendeu o recado e o salão vive vazio agora.

Empresas são abstrações. Se não se trata corretamente quem a compõe – incluindo funcionários e clientes – ela será o reflexo desse desrespeito. Ninguém quer alguém que o maltrate por perto. Se para se livrar de um amigo assim é fácil, imagine trocar uma empresa pelo concorrente.

Concorda?

4 comentários para “Mais respeito, por favor.”

  1. Vinícius Says:

    Isso só ocorre pq muitos não conhecem os direitos do consumidor…

    Eles tem obrigação de trocar o produto, não tem essa de horário, responsável, etc…

    Na boa, se me vêm com uma desculpa esfarrapada dessa, sai briga…

    Já percebeu que, quando é pra troca e o sistema caiu, vc deve voltar no outro dia e, quando vc vai pra comprar e o sistema cai, eles dão um jeito pra receber sua grana?

  2. Rafael Dourado Says:

    Você está certíssimo Vinícius. E eu geralmente armo o maior barraco nessas horas. Mas eu já havia chegado lá tão estressado com o trânsito que se começasse uma briga era possível de sair preso. Pelo menos no outro dia eles trocaram de fato os produtos sem questionamentos.
    Mas minhas brigas em empresas sem futuro geralmente são homéricas. Até quando tentam me enrolar 2 centavos do troco não deixo barato. Esse dia foi sorte. Em vez de brigar, preferi fazer um post.

  3. Fill Says:

    Falaaa Rafael, Bom cara? Então. Vou te dar a dica. Fala que se ele não trocar o teclado voce vai ligar para a Policia. Se ele duvidar liga mesmo! É “Batata”, ele vai chamar o gerente e tudo vai se resolver! ;)

    Flw cara, forte abraço

  4. Rafael Dourado Says:

    Fala Fill. Esse negócio de chamar a polícia não funciona aqui em Fortaleza não. Até porque demora 1h pra ela chegar.
    Aqui o negócio é dizer que vai ligar pro tio que é delegado e depois pro pai que é juiz. Ou então diz que é de alguma família tradicional, filho do Tasso Jereissate ou sobrinho do Airton Queiroz.
    Coronelismo impera por aqui.

Deixe uma resposta