Língua portuguesa adaptada ao novo mundo
por Rafael Dourado - 14/06/2007Fui informado através do del.icio.us do Rodrigo Muniz que mudanças ocorrerão na língua portuguesa. A proposta feita pelo filósofo falecido em março deste ano Antonio Houaiss de unificar a ortografia da língua portuguesa nos países que o falam foi finalmente acatada.
Com a unificação Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste dão novo fôlego ao português, facilitando a troca de documentação entre os países e garantindo a presença da língua em eventos internacionais por exemplo. Abaixo, seguem as mudanças observadas por Caetano Barata:
- As paroxítonas terminadas em o duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de abençôo, enjôo ou vôo, os brasileiros terão que escrever abençoo, enjoo e voo;
- Mudam-se as normas para o uso do hífen;
- Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus decorrentes, ficando correta a grafia creem, deem, leem e veem.
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como louvámos em oposição a louvamos e amámos em oposição a amamos.
- O trema desaparece completamente. Estará correto escrever linguiça, sequência, frequência e quinquênio ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de k, w e y.
- O acento deixará de ser usado para diferenciar pára (verbo) de para (preposição).
- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos ei e oi de palavras paroxítonas, como assembléia, idéia, heróica e jibóia. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia.
- Em Portugal, desaparecem da língua escrita o c e o p nas palavras onde ele não é pronunciado, como em acção, acto, adopção e baptismo. O certo será ação, ato, adoção e batismo.
- Também em Portugal elimina-se o h inicial de algumas palavras, como em húmido, que passará a ser grafado como no Brasil: úmido.
- Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.
Por falar em português, a ABL está com um serviço de dúvidas relacionadas à nossa língua pela internet. Com certeza será muito útil para quem preza pelo bom português.

14/06/2007 • 10:54
Ter gosto parecido e ficar vigiando o delicious dos outros dá nisso!
http://www.caetanoneto.com/index.php/ideia-sem-acento-nao-fica-nada-heroica/
Hehehehe… mas o meu veio antes.
14/06/2007 • 12:48
Sou totalmente contra o fim do trema…
É como se estivesse lendo errado
Também não gostei da não diferenciação de pára e para. Duas palavras que têm significados diferentes passarão a ser escritas de forma igual.
Agora em Portugal o c e o p a mais sendo eliminados é uma boa notícia. Não sei se eles vão gostar disso ou quanto tempo vão demorar pra se acostumar, mas acho bem melhor.
14/06/2007 • 13:40
Já tinha ouvido falar de tais mudanças na nossa língua em uma aula de português na escola.
Acredito que mudanças como tirar uma letra não pronunciada no meio da palavra faça mais sentido que tirar um sinal indicador de pronúncia. Isto é, certas coisas podem complicar um pouco nossa língua mas têm uma razão de serem assim, modificar tais regras é ceder à preguiça das pessoas.
Por outro lado é compreensível que alguns requintes de sofisticação sejam abandonados em nome do entedimento universal e da unificação do idioma nos vários países falantes.
Não há outro jeito senão começar a se acostumar com as modificações.
14/06/2007 • 14:19
Não acho que a preguiça de ninguém afetou nas escolhas. Até porque não acredito que quem fez essas alterações estava preocupado se tinha alguém com preguiça de aprender português. Acho o motivo bastante válido e concordo com algumas das escolhas. Lembrando que o português já sofreu inúmeras alterações e que a quantidade de acentos era muito maior.
Só um dos itens achei um tanto ofensivo. Incluir o K, o Y e o W. Esse é o alfabeto americano, não tem porque incluir essas letras no nosso alfabeto.
Do trema eu gostava, mas sem motivo racional. Só achava simpático os dois pontinhos.
10/04/2008 • 7:24
Abolir o uso do trema, seja em português do Brasil ou de Portugal é um contrasenso. Apesar do trema ter sido abolido, em Portugal, no ano de 1945, eu continuo a usá-lo pois, caso contrário, as palavras adqüirem outra fonética, os «U» passam a ser uma vogal muda. Pura e simplesmente deixa de ler-se.