Internet e consumo: a importância de, você mesmo, importar.
por Chico Neto - 07/05/2007Se tem um benefício que a internet trouxe e eu gosto de destacar é a morte do atravessador. Um bom exemplo no meu cotidiano de designer e comunicólogo é a compra de livros internacionais. Quando entrei na faculdade, em 1999, lembro que as agências e profissionais exibiam suas estantes repletas de publicações estrangeiras – pricipalmente revistas alemãs archive e anuários de propaganda dos Estados Unidos – como troféus. Isso porque a compra era extremamente complicadíssima. Havia uma espera semestral pela visita de um representante de uma livraria especializada do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Ah, saudoso tempo bom. Bah!
Ano passado, no atual escritório de design onde (também) trabalho, um dos meus chefes dialogou sobre o interesse em comprar mais alguns títulos estrangeiros. E, logo, um colega de trabalho, motivadíssimo, entrou em contato com o importador pelo Messenger. Em poucos minutos, todos nós apreciávamos uma lista de livros, com seus respectivos preços.
Eu achei os valores tão salgados que, juro, quase tive ali mesmo um ataque cardiovascular. Tá bom, não juro. Mas que os valores pareciam-me excessivamente caros, pareciam.
Resolvi consultar no Google (aquele site que tem um botãozinho supersticioso chamado “estou com sorte”) o título do livro. E ele me indicou uma centena de lojas virtuais estrangeiras que traziam o título à venda. Após alguns cliques, uma publicação que, na tabela do distribuidor local, custava trezentos reais estava sendo oferecida pelo Amazon.com por um dólar.
Isso, um dólar.
Depois, descobri a maravilhosa sessão “New and Used” do mesmo Amazon.com com várias e várias publicações com coletâneas de trabalhos em design por menos de dez dólares.
Meu primeiro sentimento foi “que ódio que não moro nos Estados Unidos”. E o segundo foi “que ódio do vendedor”. Finalmente, o terceiro sentimento: “vou comprar”. E cada título custou-me, incluindo o frete, cerca de quarenta reais.
Só para citar um exemplo que fiz em seguida, pesquisei o preço de uma câmera digital Sony no site de coméricio eletrônico da empresa nos Estados Unidos e no mesmo site da Sony, só que brasileiro. Compare: comprar no Sony Style ianque, pagando taxa de importação e frete, sai mais barato que comprar o mesmo produto no site brasileiro.
Irritante.
Fica a dica: não compre livro e nem uma série de outros produtos importados, de preferência aqueles que você não vai sentir falta de uma assistência técnica ou garantia, no Brasil. Importe você mesmo.

08/05/2007 • 13:12
Amigo, isso não é de hoje que acontece.
Pra trazer qualquer coisa acima de 50 dólares pra cá vc tem que pagar quase 100% de imposto encima. Some a isso o lucro que o importador terá e pronto.
Mas que dá raiva dá. Principalmente quando vcoÊ vê um Audi TT custando 12 mil dólares lá nos EUA e no Brasil, não custa menos de 150 mil reais. WTF?
08/05/2007 • 13:38
Grande dica, às vezes fico pensando no problema da taxa e esqueço que pode sair muito mais barato, mesmo com ela.
08/05/2007 • 15:24
Oi Vinícius e J.,
É verdade, mesmo com taxa, frete e tudo, muitas vezes, compensa importar. Sei que este pensamento é antigo. Mas torna-se extremamente atual, agora, já que o real está bastante valorizado frente ao dólar.
09/05/2007 • 10:17
como sou pobrinho, só tenho um livro importado - que, por sinal, foi comprado na seção de usados da amazon. ótima dica, chico.
21/05/2007 • 2:49
Culpe as nossas maravilhosas leis trabalhistas e sistema de impostos, pro importador grande é sempre mais caro porque precisa ter pessoal trabalhando e quanto maior o volume de importados maior é o custo de oportunidade de exportar, logo, esse custo é suprido com um acréscimo de preço em relacao a uma importacao de um unico item que vem por correio.
Hoje em dia com o real valorizado vc acha milhares desses exemplos…
Quem pensa em importar, entre em www.madeinchina.com e mandem um email perguntando quanto custa uma TV de Plasma, eles te respondem só se tiver interessado em comprar lotes.. Depois da resposta acho que vcs vao largar o emprego e comecar a importar eletronicos da China ahahahha.
21/05/2007 • 2:54
Ah, pra vcs terem um ideia, um estudo australiano chamado de Ipod Indez que compara a paridade do poder de compra de um Ipoc, estudo que foi inspirado na ideia do Big Mac Index. Link: http://www.comsec.com.au/public/news.aspx?id=809