Google Matrix
por Rafael Dourado - 24/04/2007Atiçado pelo artigo de Sílvio Meira, comecei a pensar sobre o quase monopólio do Google.
A cara simpática e cool do Google sempre nos seduz. Todos o seguem, querem trabalhar lá e até torcem pelo seu crescimento. O Google conseguiu fazer com que nos apaixonemos por ele ao ponto de o tratarmos intimamente (oráculo, mestre, deus), criarmos um verbo em sua homenagem (googlar) e o considerarmos parte do nosso cotidiano.
E foi exatamente isso que ele se tornou. Já estamos tão acostumados à sua presença, que os mais fãs praticamente se mudaram para a casa do Google. Notícias com o Google Reader, editores de texto de planilha com o Google Docs, viagem ao mundo pelo Google Earth, além de, é claro, e-mail do Gmail. Isso sem contar Orkut, YouTube, AdSense… Nossa vida sempre passa por ele.
Quem detêm a informação dessa forma tem um poder incomensurável nas mãos. Muita gente hoje ainda usa o Windows, mas não se pode mais dizer que é por falta de opção. Além de trocentas versões de Linux – que ainda considero há anos-luz do Windows –, também se tem Macs mais baratos com processadores Intel. Com R$2.000,00 já dá para comprar uma ótima máquina Mac mini. Se precisar de um editor de texto, planilhas eletrônicas ou editar imagens também já existem inúmeras outras opções online, offline, pagas e grátis. Navegadores então nem se fala.
Liberdade de escolha garante a saúde de mercado e clientes. O Google mandando e desmandando começa a fazer coisas como já está fazendo. O pagerank, sistema de classificação de páginas criado por Larry Page e Sergey Brin ainda na universidade, atualmente já privilegia empresas que assinam o sistema de AdWords. Ou seja, a primeira página já privilegia quem paga mais, e não quem tem real relevância com o que você está procurando. Em quanto tempo só pagantes ficarão na 1ª página e a briga com SEO acontecerá a partir da 2ª ou 3ª página? Sua caixa de e-mail no Gmail também é vulnerável. Um única falha do sistema e muita gente se arrebenta. E se o Google sai do ar? Mesmo que seja por poucos minutos, já é motivo para se ficar meio perdido, sem saber para aonde ir.
Na China o Google já perde pro Baidu e correm rumores de que o governo chines está desenvolvendo um buscador federal para evitar que qualquer problema no Google afete tão fortemente a vida de seus cidadãos (preparem-se para estudar mandarim). Ainda bem, pois o Yahoo cai a cada ano como opção de busca e o seu novo sistema está prometido somente para o final deste ano. Ora, se o mundo vira do avesso em meses, até o fim do ano quanto espaço no mercado o Yahoo perderá? Até a já não tão nova ferramenta de e-mail deles é mais complicada e pesada – apesar de mais bonita que o Gmail, o que não é tão difícil. Enfim, o “grupinho do mal” (como diram os “Googleboys”) está perdendo e não está reagindo.
Tem quem ache vantajoso ter sua vida controlada pelo Google. Você se torna “bacana” na internet por usar seus produtos. Fenômeno semelhante à Apple no mundo do hardware.
Particularmente, gosto de ter opções.
