Flash é para poucos
por Rafael Dourado - 16/10/2006Muita gente me pergunta porque eu não gosto do Flash. Na verdade, eu até gosto, o que eu não gosto é a forma como os desenvolvedores o utilizam, nem da postura da Macromedia/Adobe em relação a ele.
Esta discusão é mais velha que o rascunho da bíblia, tanto que o primeiro artigo do mestre-da-usabilidade-e-pirado-de-plantão Jacob Nielsen sobre o assunto é de 2000. Porém, até hoje escuto, com certa freqüência inclusive, alguns absurdos como “Flash é o futuro”, “por mim, tudo era em Flash” ou até “não existe arte com regras“.
Bom, vou começar xingando a mãe: a Macromedia. Apesar de ter crescido muito até ser comprada pela Adobe, essa empresa foi responsável por difundir o conceito da “ferramenta milagrosa”. Seus inovadores programas se tornaram sinônimo de suas funções. Ou seja, não é preciso aprender a criar sites ou desenvolver uma boa RIA, mas aprender a usar o Dreamweaver e o Flash.
Este é um pensamento errado e até perigoso para o desenvolvedor. Afinal, o Flash já encontrou um concorrente para aplicações ricas, o AJAX, e o Dreamweaver deixou de ser um bom programa já faz uns 3 anos (O beta 1 do Microsoft Expression consegue ser mais estável que o Dreamweaver). Se o Google lançar um produto semelhante - online e grátis - então, adeus Dreamweaver. E o desenvolvedor que não estudou outra coisa vai fazer o quê? Gastar mais R$ 2.000,00 em outro curso para aprender tudo denovo.
Dentre os inúmeros problemas do Flash:
- Geralmente é mais pesado;
- Inacessível a todos os usuários;
- Incentiva o abuso visual;
- Não separa apresentação de programação;
- Ignora fundamentos básicos da Web;
PESADO
Quem desenvolve em Flash há alguns anos sabe que é possível fazer um site mais leve que em HTML, porém, quantos conseguem? Se 90% dos desenvolvedores não o fazem até hoje, talvez o problema não seja com eles.
INACESSÍVEL
Internet é informação sobre tudo para todos e ponto final. Se você escreve uma besteira num blog é para o mundo inteiro ter acesso. Mas não só isso, QUALQUER PESSOA deve conseguí-lo. Isso inclui cegos, deficientes, apressados, nervosos, analfabetos digitais, daltônicos, surdos ou bocós em geral. Não é possível ter uma navegação perfeita pelo teclado com o Flash e nem leitores de tela conseguem ler seu conteúdo, por exemplo. Dizem que o JAWS consegue, mas ele é pago e quase ninguém no Brasil usa. O DOSVOX da UFRJ, que é grátis e nacional, não lê. O Google até tenta, mas não consegue ler nem metade. Só conseguiria com uma versão sem Flash, mas isso é totalmente Web 1.0.
ABUSO VISUAL
Pense bem… Quantas vezes você sofreu para achar o X que fecha banners sobre o site? Quantas vezes procurou barras de rolagem diferentes? Quantas vezes viu o cursor do mouse diferente e se movendo lentamente? Quantos tipos diferentes de “Loading” já viu? E quantas “introduções” você já pulou?
APRESENTAÇÃO X PROGRAMAÇÃO
Depois que um projeto está pronto e é necessário fazer alguma alteração no funcionamento, o programador e o designer têm acesso ao mesmo arquivo. Ou seja, eles têm que entender e até se meter no trabalho alheio. Isso também ocorria com HTML, mas os padrões web resolveram isso com HTML e CSS separados. O Flash até que separa arquivos .as para programação, mas qualquer alteração precisa compilar tudo denovo. E quem já não perdeu os arquivos fonte (.fla) e só ficou com os .swf na mão?
FUNDAMENTOS BÁSICOS
Botão “Voltar”, salvar imagem, busca de texto do navegador, aumentar tamanho da letra, copiar url de uma seção interna, bloquear imagens, identificar links visitados, nada disso funciona no Flash. A não ser que o desenvolvedor queria muuuito, o que nunca acontece.
Quer dizer que Flash é uma porcaria? Claro que não. Só que, assim como qualquer decisão a se tomar em um projeto, devem ser pesados os prós e contras para fundamentar a escolha pelo Flash. Sites de filmes, publicidade em geral, vídeos, CDs, jogos, charges, tudo isso pode ser bem aproveitado com o Flash. Mas sites completos? Se não tiver uma boa desculpa… é dar um tiro no próprio pé.

16/10/2006 • 7:00
Acho que ainda não dei o parabens pelo exelente Blog, muito bom, bons assuntos, sempre atualizado e um layout de invejar qualquer designer, ta bom falei demais ate + …
16/10/2006 • 23:15
Eh cruel como quem gosta de flash, defende com umas e dentes. e acha que o flash é o melhor para interfaces… Adoro o flash como ferramenta para manipulação de conteúdo multimídia, agora enquanto o google nem o meu celular entender corretamente, nao utilizo para websites.
18/10/2006 • 11:56
Tem gente, neste momento, desenvolvendo uma aplicação em Flash para exterminá-lo. Ui! Gostei do texto.
É uma verdadeira ode à batalha entre The Flash e Ajax. Haja astúcia.
19/10/2006 • 9:15
Show seu artigo…
Parabéns, viva o AJAX.
19/10/2006 • 11:22
Cara, já fui um ardoroso defensor do flash, mas não tem para onde correr, o flash deve ser uma ferramenta para agregar valor e funcionalidade ao site e não para limitá-lo.
19/10/2006 • 14:17
Rpz vc é kra!!Sempre concordei com isso sobre Flash, num é que já perdi vários trabalhos pois os clientes insistem na sua utilização!!Mas Dourado vc tem que ver a seguinte questao!Como vc dava o curso da Macromedia kra?Conheci seu companheiro
Rodrigo, super fera tb, pq vc nao montar um curso rpz??Indenpente de programas ouq eu até o utlizem, mas estilo sua aula, sacou?Forte abraço!
19/10/2006 • 15:01
Fala Eduardo.
Cara, eu não sou contra o Flash, ele só precisa de um bom motivo para ser utilizado. Tanto que nas minhas aulas eu tentava explicar isso aos alunos. Principalmente porque muita gente chegava lá naquela empolgação de ferramento. E, como eu disse no texto, hoje o Flash faz o que faz, amanhã pode ser outra ferramenta. Saber Flash, HTML, CSS, Javascript… tudo isso é mais Útil que Importante de fato.
Explicando com um exemplo: digamos que você gostaria de criar uma aplicação onde as pessoas podem ver vídeos sem dificuldades e outros usuários podessem enviar seus vídeos e divulgá-los. Atualmente a resposta seria Flash e PHP (YouTube). Há 5 anos atrás seria ASP e MediaPlayer, talvez. Já há 10 anos seria impossível.
O Flash é o meio e não o fim.
19/10/2007 • 13:20
Olha, na verdade voê está certo, o flash como você disse está extremamente limitado. Mas, eu acho que tem como o flash carregar imagens a partir de uma URL e salvar essa URL com o comando SharedObject, daí o flash poderá carregar essa imagem de novo. O flash é limitado, mas eu estou achando que estão muito preocupados com flash com banco de dados, flash 3D e não com os conceitos básicos da Web que tem mas quase ninguém repara como salvar imagem como, botão de avançar, voltar e histórico. Mas é possível fazer esses botões em flash no site só que pouca gente repara nesses detalhes. E outra coisa o negócio de “site em flash é mais leve que HTML” pode ser possível, mas ele fica pesado por que ele é um site INTEIRO dentro de uma página só, então compare uma página em HTML e um quadro (que seria a página em flash) poderia ser mais leve. O flash na verdade não foi feito (bom, pelo menos é nisso que eu acredito) para sites e sim para menus botões filmes, quem sabe jogos, mas ele também é útil para isso. Além disso internet é uma coisa, flash é outra…
19/10/2007 • 13:27
Flávio, você desenterrou um dos primeiros posts deste blog. Valeu! Já tinha esquecido que tinha escrito. hehehe
Outra discursão dessas já rolou neste post: http://www.netlus.com.br/divagando-sobre-flash-sites-e-internet/
Dá uma olhada.
T+
29/09/2008 • 14:05
Se eu quero fazer um site todo em flash eu faço e pronto acabou, não preciso que ninguém entre no meu site de um celular, e tampouco um cego vai comprar meu produto então eu faço um site pra quem eu quero e da forma que me trará resultados e é isso que interessa, resultados, grande parte dos sites em flash trazem mais resultados para quem o fez do que se tivesse sido feito em HTML e isso é o que importa.
1º Um site em flash pode ser perfeitamente leve e essa é uma preocupação cada vez menos presente uma vez que a tendência é que as conexões fiquem mais rápidas.
2º Acho que tudo isso é muito relativo, cada projeto exige uma solução diferente, nem sempre a indexação no google é o que importa. Tem um amigo meu que por um acaso também faz esse tipo de crítica ao Flash e que vive se gabando de que seu site é um dos primeiros que aparece no google, etc. mas até hoje ele nunca fechou nenhum negócio com um cliente que o achou no google.