Do Papel para a Web | Cores

por Rafael Dourado - 27/07/2007

Dando continuidade à série de artigos para ajudar a galera da celulose a migrar para essa maravilha cheia de esculhambação chamada internet, falarei sobre cores.

Depois de tanto tempo misturando ciano, magenta, amarelo e preto, ou mesmo brincando de colorir com aquele catálogo pantone, passar a trabalhar com cor no monitor exige uma certa dedicação. Primeiro, coloque duas coisas na cabeça: monitores têm calibragens diferentes e esqueça o CorelDRAW.

Tubos Catódicos × Cristal Líquido

Monitores são pretos, papéis são brancos. Isso inverte a lógica de trabalho. Se antes ao reduzir a porcentagem de ciano deixa o tom mais claro, agora retirar azul o torna mais escuro. Tá certo, eu sei que seu Photoshop aceita as duas formas, mas a lógica é inversa.

Via de regra, sites como o COLOURlovers e Adobe Kuler podem ajudá-lo durante e após esse processo. Particularmente, gosto muito do COLOURlovers e é geralmente o primeiro lugar para onde corro para me decidir sobre a paleta de cores.

Mas não é só isso não. Monitores não são iguais. Principalmente se compararmos CRT com LCD. Monitores CRT são preferíveis em produção gráfica exatamente por representarem as cores da forma mais fiel possível. Monitores LCD ainda divergem e muito entre os fabricantes e até entre modelos da mesma marca. Tenho um LCD Samsung de 15″ em casa que tem uma calibragem totalmente diferente do de 17″ que uso na empresa. Eu até já o calibrei algumas vezes, mas nunca ficam idênticos e eu já perdi a paciência de tentar corrigí-lo. Se eu que trabalho com isso já cansei, imagine quem é “normal”. Os mais atuais até que são mais parecidos, mas não dá para contar com essa sorte.

Então, o que fazer? Dois itens estão sofrendo com essa diferença: estética e legibilidade. A solução do primeiro é só uma: testar. Com o tempo você aprende a identificar essas particularidades, mas na maioria das vezes o que acontece é um aumento no brilho e algumas bordas borram um pouco. Ou seja, cuidado com tons de cinza e degradês com pouco contraste. Já o segundo é mais simples de prever. Um cidadão chamado Jonathan Snook — cujo blog é muito bacana — fez um aplicativo web que testa o contraste da letra com o fundo e diz se o texto está legível ou não, pelo menos no que diz respeito à cor. Dessa forma é possível garantir a legibilidade mesmo para leitores daltônicos.

Por que você não gosta do CorelDRAW, seu mané?

Por que ele não consegue ler nenhuma cor RGB direito, nem a visualização dele entende que 1 pixel deve ocupar só 1 pixel da tela. Programas que melhor simulam o funcionamento da tela são Illustrator e Fireworks. Existem outros do Linux e Max que não conheço, mas quem conhecer, por favor, cite nos comentários.

Muitos Gráficos já utilizam Illustrator ou Freehand em seus trabalhos. O Freehand está desatualizado, mas ainda dá um caldo. Mas se for para trabalhar profissionalmente com Web, sugiro o Illustrator ou a versão CS3 do Fireworks. As anteriores do Fireworks sempre achei muito fracas, mas a versão nova tenho que dar o braço a torcer que está muito boa.

Pronto para começar?

Com o primeiro e este artigo já é possível definir a área de trabalho e começar a criar alguma coisa com as cores corretas para ir treinando.
No próximo artigo: elementos de interface.

2 comentários para “Do Papel para a Web | Cores”

  1. Adriano Macêdo Says:

    Corel Draw: vírus gigante que se reproduz assustadoramente nos computadores menos avisados.

  2. Do Papel para a Web #1 | Netlus Says:

    […] No próximo artigo: cores. […]

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