Designers? Para quê?

por Rafael Dourado - 24/02/2007

Recentemente a CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) realizou um concurso para “modernizar” a marca da empresa, originalmente criada na década de 60. Detalhe: o concurso foi feito entre os funcionários da empresa que, a julgar pelo resultado, não contratou nenhum designer.

O Chico Neto me indicou este artigo escrito por Mauro Pinheiro, doutor em Design pela PUC-RIO. O artigo, em clima de desabafo, é quase um manifesto em favor da profissão (um hiperlink de cabeceira, como disse o Chico). Recomendo a leitura imediata.

Bom, esse assunto sobre a importância e necessidade do designer vez por outra volta à tona. Mas eu pergunto: a culpa das pessoas terem essa idéia distorcida sobre a profissão é de quem se não do próprio designer?

O Rafael Alves (que se diz um ex-designer) uma vez me disse - citando um livro que esqueci qualcitando Ana Luisa Escorel - que se você está doente e vai ao médico, ele geralmente irá explicá-lo exatamente o porquê da sua doença, o porquê do tratamento e você provavelmente irá acreditar e confiar nele. Por que o designer não faz o mesmo? O cliente não tem obrigação de saber nada de design, nem mesmo a obrigação de respeitá-lo. Porém, se você está ali conversando com ele é óbvio que ele está sentindo a necessidade do seu trabalho, e é obrigação sua fazer o seu melhor. E, para isso acontecer, a aprovação do cliente é a última barreira.

Explique a ele o que é equilibrio visual, rítmo de leitura, harmonia de cores, até o que é proporção áurea se possível. Mas seja didático, e não verborrágico jogando em cima dele todo o seu conhecimento técnico/filosófico/científico sobre o assunto. O design tem a vantagem de ser muitas vezes prático e objetivo. Um texto ruim de ler é facilmente identificado quando comparado com um fácil de ler, uma foto mal tirada é um conceito quase universal, problemas de aplicação são fatos inquestionáveis e desalinhamentos incomodam qualquer um.

Não culpe o mal gosto alheio pela não aprovação do seu trabalho.

Um comentário para “Designers? Para quê?”

  1. Chico Neto Says:

    Golden Boy, confesso: não sou fã da metáfora do médico. Afinal, existe a automedicação. Também casas são construidas só com pedreiros, sem engenheiros responsáveis e obras certificadas pelo CREA etc. A profissão Design, assim como a Medicina, a Engenharia e todas outras não precisa, creio eu, do sentimento corporativista para afirmar-se. Ele pode ser interessante. Ou nocivo. O que defendo, isto sim, é a regulamentação da profissão. Que lá na Constituição esteja promulgado “design é isto. Designer é alguém assim”. Afora o sentimento -um pouco xiita- do autor, as palavras dele, definindo a construção de identidades visuais, são sublimes.

    Como a nossa(?) profissão e o “bom design” prosperará? Penso que com “bom design”. Com exemplos positivos. Se abre uma mercearia na esquina e ela prospera, rapidamente outras surgem. E se uma das mercearias, um dia, investe em design eficiente e eficaz e ele mostra efetividade nos negócios, as outras seguem.

    Ou não?!

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