Pesquisa encomendada pela F/Nazca e realizada pelo Datafolha mostra a banda Calypso como a mais ouvida no Brasil. […] Os CDs e DVDs da banda são produzidos, divulgados e distribuídos sem nenhuma gravadora.
Seria uma informação que não valeria nada se eles não atingissem 1 ou 2 milhões de cópias vendidas com tanta facilidade. Ivete Sangalo aparece apenas em 7º lugar.
Que mané Arctic Monkeys, Prince ou NiN! Calypso é a banda que fugiu do modelo padrão da indústria fonográfica muito antes dos gringos lerem nos livros do Seth Godin.
Do you Calypso? no Coxa Creme
Num tô dizendo? Desde que a internet e suas técnicas de comunicação agregada se implantaram como status quo, a comunicação vários-vários (many-many) ganhou espaço e se expandiu. Desde o momento em que várias pessoas podem produzir conteúdo para várias, e com o alcance proporcionado pela rede mundial, fenômenos como esse da banda Calypso foram se tornando cada vez mais fáceis de serem observados.
A regra é: quem quiser que se organize. Seja você popular ou cult, espaço tem. O Arctic Monkeys distribuiu o disco todo na rede e se fizeram nessa linha também. Outras bandas e pessoas de várias áreas estão entrando nessa. A banda Ok Go se firmou lançando o clipe engraçadinho no Youtube e a idéia vingou.
Aqui no Brasil, Lobão ajudou a criar um desses canais alternativos. Lançado em 1999 e utilizando bancas de revista como meio de distribuição, o ótimo A Vida é Doce foi um dos primeiros exemplos de que a coisa poderia ser outra. Tanto foi que hoje o próprio Lobão é editor da revista OutraCoisa que lança CDs de bandas como Mombojó, Wander Wildner, Cachorro Grande, Bnegão, entre outras. São todas bandas que hoje possuem público próprio e não precisam ir à TV ou pagar jabá às rádios para ficarem conhecidas.
Cada vez mais o lance é fazer a sua arte e soltar pelo mundo. E vários outros fenômenos vão aparecer pelo mundo. Porém, fenômenos como a Calypso acho que não serão tão comuns. A tendência é que os hypes sejam cada vez mais numerosos, mas isolados, com um número de pessoas atingidas menor.
As grandes empresas vão ter que se ligar para mudar sua forma de atuação. Já tentaram, e o que aconteceu foi que essas tentativas só se mostraram ridículas. Para citar algumas: não lembro bem o ano, mas quem não lembra do Metallica brigando com o Napster para anos depois liberar algumas faixas do disco St. Anger na rede e tentar limpar um pouco a sua imagem? Como não lembrar da justiça punindo jovens de 17 anos por download de músicas?
A época de domínio total sobre o artista, sobre o conteúdo e sobre o público acabou. Em vez de gastar criando propagandas como “se você não roubaria um carro, por que roubaria um filme?”, a indústria do audiovisual deveria estar fazendo como a indústria de games que incentiva sua modificação e redistribuição. Mas isso já é papo para outro post.
Bons tempo para nós, usuários, que temos a possibilidade de acesso à informação quase que irrestrita. Essas bandas estão aí para mostrar que existe vida pós-música distribuída. Viva!