Depois de um período de trabalho triplicado, recuperação da fadiga e virose e bacteriose mal curadas, finalmente voltei a postar! E uma das dores de cabeça que acabei tendo (devidamente amenizada pelo boa remuneração) foi trabalhar pela primeira vez com o Vignette.
Caso não conheça, a Vignette é uma empresa americana que possui uma série de produtos para a web. Sua soluções em gerenciamento de conteúdo são produtos caríssimos utilizados, obviamente, por quem tem muito dinheiro como a Globo e a Martha Stewart. Porém, durante todo o processo não conseguia deixar de pensar: com o Wordpress seria mais rápido.
A idéia do Vignette é que não é necessário muito conhecimento para fazer o que quiser com seu site e o projeto era um site modelo que tirava proveito de todos os recursos dele. Mas o sistema não é nada fácil de usar. Uma tarefa simples como a de inserir uma imagem em um artigo, por exemplo, são necessários cerca de 10 cliques — metade deles abrem uma nova janela — e o preenchimento de um formulário com os dados da imagem em um gerenciador de mídia em Flash. No Wordpress, nem é necessário sair da tela de edição!
Mesmo dizendo que é possível alterar qualquer coisa sem programar, o módulo de leiaute simplesmente não obedece ninguém. Ele próprio define as margens entre os blocos de conteúdo e por mais que se tente definir um tamanho exato para esses blocos, o número nunca é obedecido. Em um leiaute que deveria ter 3 colunas com 320 pixels, o Vignette alterava esse valores ao seu bel-prazer e ignorava as margens de leitura. No Wordpress, a mobilidade do visual depende da habilidade do desenvolvedor CSS, do arrastar-e-soltar dos widgets e dos plugins personalizáveis. A maior parte do trabalho fica de fato nas mãos do desenvolvedor, mas quem estudou design da informação aqui, afinal?
POG? Pior!
Bom, mas se é possível aprender a usar o Orkut, também é possível aprender a usar o Vignette, não é? Porém, se você for desenvolvedor e prezar o mínimo que seja pelo seu trabalho, terá de se despir de todos os seus valores caso vá trabalhar com esse elefante branco (que o diga Diego Eis, que assim também trata o Vignette). Diferente do Wordpress, os padrões web passam longe dali e o código gerado é uma gambiarra de fazer inveja a qualquer “sobrinho”. É uma mistura de CSS externo, CSS inline, tags abertas, tabelas posicionando divs e vice-versa, elementos sem identificação e javascript. Inclusive, em algumas páginas todo o conteúdo é puxado por javascript, até mesmo o leiaute. Ele redefine a Programação Orientada a Gambiarra!
Era tanto código que ele jogava que em certo momento parti para a ignorância e sai espalhando centenas de !important pelo CSS. Deu certo por um tempo, mas depois percebi que além do código normal do site, ainda existia um ícone em cada bloco de conteúdo com link direto para a edição que quebrou o leiaute inteiro.
Essa briga durou duas semanas intensas, mobilizou cerca de 20 profissionais internos, além de mim e o Glacial como externos, e o produto final, na minha opinião, poderia ter ficado melhor se o gerenciador não tivesse atrapalhado tanto. Porém, cumpria o prometido e a empresa que solicitou o outsourcing teve o seu leiaute devidamente implementado.
Mas não consigo tirar uma pulga atrás da orelha: como um sistema é considerado um dos melhores do mercado ignorando completamente qualquer estudo de usabilidade, acessibilidade e boas práticas de desenvolvimento?