Se eu fizer um cálculo como o do Romário – ou seja, incluir “gols” desde os tempos de colégio – posso dizer que trabalho com internet há uns 8 anos (tenho 23). Já fiz trabalhos para quase todas as empresas do Grupo Edson Queiroz, para agências de publicidade, empresas de outros estados e mais outros trocentos sites por pura diversão e tempo livre (saudades desse tempo). Mas em nenhum momento desses eu sofro tanto quanto na hora de fazer um trabalho para mim mesmo.
Confesso que sou o mais escroto dos clientes. Nada está bom para mim, não importa o quanto eu me esforce para agradar. Crio pelo menos 10 versões toscas de uma idéias aleatórias, amaldiçoo a minha própria existência e minha total incompetência, peço ajuda aos deuses do Olimpo, jogo campo minado (sempre perco), jogo paciência (também perco), jogo pedra na lua, olho pro tempo, vejo pornografia, lavo o rosto, desisto da vida… Juro que é mais fácil carregar uma cruz.
Inclua a todo esse drama psicológico, dúvidas crueis sobre seções do site, abordagem, qualidade dos textos, facilidade de uso, inovações etc. Nenhum questão nova ou que nunca tenha respondido a algum cliente antes, mas o fato de ser para mim a primeira coisa que vem à cabeça é: se é para mim, tem que ser perfeito. Mas ele NUNCA será como eu gostaria que fosse. Perfeccionismo, egocentrismo, vontade de agradar ou pura autoflagelação… não importa o motivo. Mas a frase “casa de ferreiro, espeto de pau” sempre surge na minha mente (ou ouvidos) nessas horas.
Depois de perder vários fio de cabelo e litros de água (o instituto datafoda-se diz que criatividade é 90% transpiração, ou não), finalmente chego a uma resultado que me agrade. Solto fogos por 2 segundos, mas sei que é chegada a pior hora. Se receber críticas de si mesmo já não é nada fácil, imagine as críticas do alheio. As únicas certezas que você tinha vão por água abaixo com comentários do tipo “parece um clipart” ou “tá com cara de feito às pressas”. Malditos! Alguns elogios surgem, mas a faculdade de comunicação passa 4 anos e meio nos ensinando que críticas positivas são falsas (como diria House, everybody lies).
Depois de jogar o “troço” aos leões, dar um gole d’água (ou de cerva, se for 6ª), tomar aquele banho e me recompor, é hora de raciocinar um pouco. Quais opiniões tiveram maior relevância, quem disse o quê, o que os estudos e livros me indicam… o que realmente deve ser corrigido? Perguntas devidamente respondidas, mais alguns dias com a peça ali no canto da tela, vista e revista com o passar das horas ou dias, finalmente algo fica pronto.
Ficou bom? Não importa. Se o cliente sou eu pode ter certeza que vou achar uma bosta.
PS: Esse parto foi para sair o site da Tropus, minha empresa. Publicá-lo-ei em breve para vocês poderem esculhambar à vontade.
PS²: Okay, eu confesso. Sou mesmo parecido com o De(ath)sign.