Durante o excelente Alternativa2007, o primeiro convidado do evento, Fábio Seixas, perguntou ao público quais pessoas presentes faziam uso de cartas escritas.
Para minha surpresa, somente eu levantei o braço. Ele, em tom jocoso, perguntou minha idade.
Aos que não sabem, tenho 25 anos.
Na oportunidade, queria que a apresentação de um dos sócios do criativo (?) site Camiseteria prosseguisse. Por isto, não dialoguei com o convidado sobre o assunto. Nem no coffee break. Achei que ocupar minha boca com os saborosos quitutes seria mais válido.
Os milhões de leitores do Netlus (projeção para 2008), imagino, são admiradores das possibilidades infinitas trazidas pela internet. E eu também. Talvez, a maior delas seja a promoção de uma comunicação célere entre usuários nos mais distintos pontos do planeta.
E toda facilidade e velocidade na troca de informação trouxe consigo um novo tipo de discurso. Falo daqueles e-mails rápidos, no quais a resposta é, somente, “ok”. Ou os e-mails enviados para várias pessoas. Correntes forward. Spams. Ou ainda mensagens nas quais você não é mais você. É “vc”. Uma redação que indica breviedade nas palavras como consequência de pouca dedicação do escritor ao leitor.
O que isto trouxe, creio, foi uma vulgarização das informações trazidas nas mensagens de e-mail e de bate-papo. Escrever uma mensagem eletrônica é tão fácil que não nos dedicamos a ela. Não relevamos nosso discurso. E perde-se mais ainda o tempo da delicadeza.
Escrever uma carta parece requerer um pouco de dedicação. Para começar, terá que saber o endereço e CEP do destinatário. Não precisa ser escrita à mão com caneta esferográfica em folha pautada. Pode ser impressa em jato de tinta. Até mesmo os endereços no envelope podem ser correspondência postal. Só que tudo parece solicitar ser mais preciso. Cuidadoso.
Vou continuar enviando e-mails. Diariamente. Dezenas. Mas quando precisar enviar um documento sério, ou uma mensagem para expressar carinho a alguém, não tenhem dúvida, recorrerei ao selo. Não ao send.
Por isto, Fábio, se um dia você tiver a intenção de mostrar grande seriedade ou carinho, saiba de uma coisa: quem ganha é a carta.